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Por: Pedro Oliveira – Founding Partner

Recentemente, os donos do Wrexham anunciaram mais um investimento no futebol: o Club Necaxa – tradicional clube mexicano que ficou conhecido mundialmente nos anos 90 – período de ouro pensando em conquistas esportivas do time. Com esse investimento minoritário, a holding RR McReynolds (empresa conjunta dos atores) potencializa sua presença no mercado esportivo, aumentando seu portfólio – que também é composto pela Alpine F1 Team, na qual concluiu um investimento em junho do ano passado.

Assim, pode-se perceber que os atores estão mapeando outros territórios em que possam aplicar o bem sucedido playbook do Wrexham. Afinal, o Clube galês conseguiu dois acessos seguidos na Inglaterra e a série de conteúdo original produzida a partir da sua história é um sucesso – tanto em audiência quanto em reconhecimentos. No caso do Necaxa, a dupla está olhando para a possibilidade de participar da criação de valor em construção no mercado do futebol na América do Norte nos próximos anos, já que a Copa do Mundo de 2026 será sediada entre EUA/México/Canadá e o mercado vem atraindo diversos investimentos.

No entanto, diferente de outros investidores, Ryan e Rob inovam ao buscar um ativo no mercado mexicano, fugindo dos altos valuations que vem sendo praticados na MLS – em maio/23, o San Diego FC pagou 500 milhões de dólares à Liga pelos direitos de fundar uma nova franquia e participar do torneio. Estima-se que o Necaxa hoje esteja avaliado em US$ 200 milhões, estando posicionado em um mercado consumidor que hoje tem maior potencial do que os EUA, pensando que o futebol é o esporte mais popular da nação de 130 milhões de habitantes. Adicionalmente, assim como o Brasil, o México está hoje inserido num contexto de criação de uma estrutura de liga centralizada para negociação dos direitos de transmissão que, por lá, também são negociados individualmente pelos clubes. Assim, espera-se que, com a negociação centralizada, os valores praticados cresçam, o que deve também impactar positivamente o valor de mercado dos clubes.

Resumo da ópera: após investir no Wrexham sob um prisma de produção de conteúdo a respeito do maior esporte global, Ryan e Rob tomaram gosto pela coisa e entenderam (assim como vários outros investidores) que o esporte, de forma ampla, é uma classe de ativos viável para se alocar capital, onde fortes marcas criam valor contínuo para seus fãs e envelhecem bem com o tempo. Com tudo isso, hoje a RR McReynolds é aquilo que chamamos na OutField de “Grupo MSO” – um Multi Sports Ownership Group, que investe mais de uma modalidade em diferentes geografias. Será que o Brasil será a próxima fronteira para eles?