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A gestão do desempenho físico e estratégico de atletas é um desafio compartilhado por diversas modalidades esportivas, especialmente aquelas com calendários extensos e de alta exigência competitiva. No tênis profissional, a intensa temporada anual coloca os jogadores diante de decisões difíceis, tendo que priorizar torneios de maior prestígio, como os grand slams, torneios ATP e Masters, ou se dedicar a eventos por equipes, como a Copa Davis, que acabou de acontecer em Málaga, na Espanha, e contou com a despedida de Rafael Nadal das quadras.

Da mesma forma, na NBA, o calendário regular de 82 jogos leva equipes e jogadores a adotar práticas como o load management, visando preservar atletas para os playoffs e jogos grandes durante a temporada regular. Embora distintos em suas dinâmicas, esses cenários revelam semelhanças notáveis no equilíbrio entre rendimento, longevidade e prioridades estratégicas.

Claro que a comparação entre Copa Davis e NBA é muito distante, até porque, a fase final do torneio de tênis dura cerca de cinco dias e a liga de basquete vai de Outubro a Abril, sem contar os playoffs, que duram até Junho. A semelhança entre eles é que ambos sofreram e vem sofrendo com o calendário puxado e estão tentando encontrar formas para deixar seus produtos mais atrativos ao público.

Desde o ano passado, a NBA resolveu criar a “NBA CUP” , uma competição dentro da temporada regular da liga, onde os 30 times são divididos em seis grupos de cinco equipes. Cada time joga contra os outros do grupo uma vez, e os vencedores de cada grupo, além dos dois melhores segundos colocados (um por conferência), avançam para o torneio de eliminação direta.

A ideia foi um sucesso. A liga estabeleceu um recorde de público em novembro, e a audiência na TV para os jogos do torneio cresceu 26% em comparação ao ano anterior. A final entre o Indiana Pacers e o Los Angeles Lakers foi o segundo jogo mais assistido da temporada, excluindo os playoffs.

Já na Copa Davis, o modelo implementado nos últimos anos, foi projetado para modernizar o torneio e atrair tanto jogadores de elite quanto um público mais amplo. O modelo divide a competição em duas fases principais: a fase de grupos e a etapa final. Na fase de grupos, 16 seleções são divididas em quatro grupos de quatro equipes, jogando partidas em diferentes cidades ao redor do mundo. Cada grupo segue o sistema “todos contra todos”, com os dois melhores avançando para as quartas de final.

A etapa decisiva, conhecida como “Final 8”, ocorre em uma única sede, como Málaga, Espanha, no caso da edição de 2024. As partidas são disputadas em formato melhor de três, consistindo em dois jogos de simples e um de duplas. Isso simplifica a logística, reduz o desgaste dos atletas e cria um ambiente de competição mais emocionante e acessível para os fãs.

O novo formato da Copa Davis, implementado pela ITF e a empresa Kosmos a partir de 2019, enfrentou forte rejeição e problemas que comprometeram seu sucesso. Esse modelo centralizou as fases finais em uma única cidade, abandonando as tradicionais disputas em casa e fora. Isso resultou em baixa presença de público, falta de atmosfera vibrante característica do torneio e críticas por dificultar a participação de países anfitriões, especialmente de regiões mais distantes, como a América do Sul. Muitos fãs e jogadores sentiram que o formato perdeu a essência da competição, diminuindo seu apelo histórico e cultural.

Adicionalmente, a estrutura econômica do torneio também foi questionada. Algumas federações nacionais relataram que os recursos recebidos não cobriam os custos operacionais básicos, enquanto os novos patrocinadores não conseguiram gerar o retorno esperado. Esses fatores contribuíram para o fim da parceria com a Kosmos em 2023, colocando a ITF novamente no controle e motivando a revisão do formato.

Para tentar reverter a situação, o novo modelo, adotado a partir de 2025, busca um meio-termo entre o antigo e o recente. Ele reintroduz as eliminatórias locais e visitas diretas a partir das oitavas de final, mas mantém uma fase final em sede única, buscando resgatar a emoção da competição sem abandonar completamente a tentativa de modernização.

Tanto a Copa Davis quanto a NBA enfrentam o desafio de equilibrar a exigência de suas competições com a necessidade de manter o interesse do público e o desempenho dos atletas. Uma grande análise dos jogos atuais também se faz necessária. Partidas mais exigentes fisicamente, maior dinamismo e velocidade, intensidade, também contribuem para o desgaste dos atletas e impactam o “show”. Não basta pensarmos em calendário e sim em toda a cadeia que envolve cada modalidade esportiva, para continuarmos evoluindo de forma saudável, sustentável e atrativa para todos.