O futebol brasileiro atingiu marcos históricos em 2025 ao movimentar R$14,3 bilhões, registrando um crescimento real de 32% em relação à temporada anterior. No entanto, o mercado reafirma uma realidade técnica e estrutural e mostra que a expansão do faturamento ainda é fortemente sustentada por receitas extraordinárias e instáveis, o que não assegura previsibilidade no longo prazo.
É sob esse contexto de transformação e alerta que o Relatório Convocados 2026 chega para balizar as decisões do mercado. Elaborado para quem precisa enxergar a indústria esportiva com profundidade analítica, o estudo traz um diagnóstico completo sobre a saúde financeira dos clubes brasileiros.
O material é assinado pelo economista Cesar Grafietti e produzido pela Convocados em parceria com a OutField — ecossistema de investimentos e estratégia com foco exclusivo no esporte e entretenimento —, contando com o patrocínio da Galapagos Capital, companhia de investimentos global.

Crescimento atrelado à instabilidade
A nova edição do relatório adverte que parcelas fundamentais do crescimento setorial em 2025 são oriundas de rubricas não recorrentes. Sem considerar esses efeitos extraordinários, a receita recorrente do setor chegou a R$9,5 bilhões, um crescimento real de 13%. Os principais impulsionadores do salto para os R$14,3 bilhões incluem os fatores a seguir:
- Transferências de atletas: representaram R$3,9 bilhões das receitas totais, uma expressiva alta de 63% frente a 2024.
- Premiações: somaram R$1,6 bilhão, impulsionadas pela distribuição aos quatro clubes brasileiros participantes da Copa do Mundo de Clubes.
Na outra ponta, a operação seguiu pressionada. Os custos e gastos operacionais atingiram R$10,3 bilhões, configurando uma alta de 22%, e o endividamento consolidado avançou para R$17,3 bilhões. Grande parte desse avanço reflete os investimentos em elenco, com R$4,4 bilhões desembolsados em direitos de atletas.
O material também aponta para a necessidade de governança nas receitas comerciais, que já alcançaram R$3 bilhões, montante que representa 21% do total. Aproximadamente um terço desse valor tem origem em um único segmento — as empresas de apostas —, ampliando o debate estrutural sobre a dependência de uma fonte concentrada de receita.
O futuro com Fair Play Financeiro, SAFs e Valuation
Além de consolidar os balanços, o estudo entrega um panorama inédito de preparação para o novo Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), o fair play financeiro brasileiro que entra em vigor a partir de 2026. A análise indica que apenas sete clubes estariam plenamente enquadrados nas regras atuais, enquanto nove operam abaixo dos limites exigidos.
O documento traz, ainda, o registro do avanço corporativo no país. Em 2025, os clubes-empresa já representavam 18% do universo analisado, com destaque para a criação de 28 novas SAFs apenas no último ano. Pela primeira vez, o relatório também apresenta simulações de valuation dos clubes brasileiros, evidenciando o amadurecimento da indústria para operações estruturadas e a atração do mercado de capitais.
Uma leitura obrigatória para investidores, executivos e profissionais que buscam fundamentar decisões em transparência, contexto e perspectiva de longo prazo fora das quatro linhas.