OutField Inc

Na sexta-feira (17/05), foi anunciado que o Brasil vai sediar pela primeira vez a Copa do Mundo Feminina de futebol, que vai acontecer em 2027. O país vai aproveitar a estrutura criada para a Copa do Mundo masculina em 2014, utilizando 10 dos 12 estádios usados na época.

A escolha do Brasil como sede mostra que o futebol feminino já é realidade por aqui e que a visibilidade do esporte vem crescendo dia após dia. Porém, qual é o impacto que um evento desse porte traz ao futebol feminino nacional?

A Austrália e Nova Zelândia são os melhores exemplos a serem citados. Sedes da Copa do Mundo de 2023, os países tiveram números recordes de bilheteria e turistas, além de excelentes resultados na parte econômica. Aqui estão alguns números:

  • Impacto econômico indireto de US$ 1.32 bilhões
  • 1.288.175 ingressos vendidos para apenas os jogos da Austrália
  • 403.136 pessoas presentes em todos os sete jogos esgotados das Matildas (como é conhecida a seleção australiana)
  • 86.654 visitantes internacionais
  • 505.000 horas de trabalho voluntário durante o torneio
  • Redução estimada nos custos de saúde de US$ 324 milhões devido ao aumento dos níveis de atividade física.

O impacto para a Austrália/Nova Zelândia em sediar uma Copa do Mundo foi imenso. As Matildas fizeram com que o país do Rugby fosse conhecido como o país do futebol durante o mês da competição, quando chegou à semifinal, melhor resultado na história do país, contando também com o futebol masculino. A repercussão foi tão grande, que as Matildas foram estimadas em um valor de mídia de 2.7 bilhões de dólares, após a Copa do Mundo.

Mas e o Brasil?

Ao contrário da Austrália, o Brasil é conhecido como o país do futebol e tem tudo para igualar ou avançar esses números em relação a Copa de 2023. Em dados divulgados antes do torneio do ano passado, a seleção brasileira foi a nona seleção mais valiosa do mundo (2.03 milhões de euros) atrás de países como EUA, Espanha e a Alemanha (em primeiro lugar avaliada em 4.25 milhões de euros). Com o anúncio da sede da próxima Copa do Mundo, o Brasil tem tudo para repetir o feito das australianas e se valorizar após o término do torneio – até porque estrutura, patrocinadores e audiência, não vão faltar.

Em 2023, a Cazé TV registrou mais de 5 milhões de aparelhos conectados na estreia da seleção brasileira contra o Panamá e cerca de 7.6 milhões de acessos no jogo de eliminação contra a Jamaica, números extremamente relevantes que mostram o avanço do futebol feminino no país. Além disso, esses números tendem a aumentar, já que a seleção feminina será a única representante do futebol nas Olimpíadas de Paris – o masculino não conseguiu se classificar.

É fato que o futebol de mulheres ainda não é valorizado como deve ser, mas passo a passo, o Brasil vem progredindo com bons resultados, como:

  • Determinação de que todo clube da Série A do Brasileirão, deve ter também um time feminino
  • Tetracampeonato do Corinthians na Libertadores
  • 12 dos 16 times da Série A do campeonato brasileiro proporcionando o crescimento de orçamento de 2022 para 2023

A vinda do maior evento esportivo para o país só tem a agregar para a modalidade e ao esporte como um todo. Com certeza seremos testemunha do crescimento desse esporte que tanto amamos.